Um dos lugares mais extraordinários para a prática do montanhismo no Brasil é a Serra dos Órgãos, no interior do Rio de Janeiro. Querida e respeitada não só por sua beleza e importância na história do esporte, mas, principalmente, pelas trilhas e vias de escalada que desafiam desde o praticante iniciante ao mais experiente.

Vale lembrar que o Parque Nacional da Serra dos Órgãos possui mais de 200 quilômetros de trilhas e centenas de vias de escalada para todos os níveis. Aliás, por aqui estão os mais clássicos destinos e vias neste seguimento. Sabia?

Serra dos Órgãos vista dos Portais de Hércules

Neste artigo vamos abordar as 10 principais vias de escalada consideradas “obrigatórias” no currículo do montanhista brasileiro, e, que fazem parte do meu projeto pessoal “Top 10 vias de escalada da Serra dos Órgãos”.

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Sobre o Projeto: Top 10 vias de escalada na Serra dos Órgãos

Há alguns meses convidei o instrutor de escalada da AGUIPERJ Thiago Telles para me ajudar na realização de um grande sonho, que era escalar as “Top 10” entre as vias mais clássicas da Serra dos Órgãos.

O primeiro movimento em busca da realização do projeto foi encarar um curso de reciclagem, afinal, eu estava há mais de um ano longe das paredes.

Os treinos foram realizados em cinco aulas, onde foram abordados as instruções de segurança, principais nós e suas várias formas de uso, ancoragem, rapel, planejamento da escalada (leitura de via) e chaminé. Confira o vídeo de uma das aulas neste link: Chaminé do Prego no Cantagalo – RJ.

Após algumas pesquisas com outros renomados montanhistas, chegamos a conclusão das “Top 10 vias de escalada e escalaminhada” que devem fazer parte do currículo de todo montanhista brasileiro.

Como uma boa e orgulhosa “minhoca da terra teresopolitana”, não poderia deixar passar a oportunidade de ter em meu currículo essas 10 principais vias de escalada. Afinal, cresci vendo os montanhistas de todo o mundo vindo curtir e desbravar este lugar que tanto amo.

Então, segue abaixo a relação das “Top 10 vias de escalada da Serra dos Órgãos” que devem fazer parte do currículo de todo montanhista brasileiro.

Vale lembrar

O primeiro movimento daquele que tem interesse pela escalada em rocha deve ser a realização de um curso básico de escalada, onde você irá desenvolver as competências mínimas e necessárias para participar de uma cordada. Para mais informações sobre o curso ou reciclagem clique neste link: curso básico de escalada

1 Dedo de Deus | Via Face Leste – Maria Cebola e Blackout

O Dedo de Deus é um marco na escalada brasileira. A via de escalada da Face Leste, uma das mais belas e a mais popular, possui seis enfiadas, onde destaco a variante Maria Cebola, uma opção para evitar a escuridão e umidade da linha original, a Chaminé Blackout.

A chaminé é o estilo predominante na via de escalada Face Leste do Dedo de Deus. Conquistada originalmente pela, também chaminé, Blackout, ela ganhou depois uma incrível e famosa variante, a “Maria Cebola”.

Trata-se de uma de fenda/diedro que circula, por fora da face da montanha. Extremamente aérea, a variante Maria Cebola é também o trecho mais técnico de toda essa escalada.

  • Apesar do acesso gratuito, é imprescindível que você assine, na entrada do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Termo de Conhecimento de Riscos e Normas e, ao final de sua atividade, também dê baixa neste documento.

2 Dedo de Deus | Escalada Via Teixeira

Sendo a via de conquista do monumento símbolo do montanhismo nacional, a via de escalada Teixeira não poderia deixa de encabeçar qualquer lista de vias clássicas do Brasil.

A via foi conquistada em 1.912 e até hoje representa um interessante e relevante desafio, principalmente por se tratar de uma escalada no Dedo de Deus, localizado na Serra dos Órgãos, Rio de Janeiro.

Não é uma escalada que exige elevado nível técnico ( 3o IIIsup A1 C ) porém, assim como todas as vias dessa montanha, possui características que fazem dela uma via exigente física e psicologicamente.

A aproximação é bastante longa e possui, além de uma trilha pesada de 40 minutos, uma longa sequência de cabos de aço, onde você precisa ultrapassar utilizando os equipamentos específicos de escalada.

A via Teixeira é formada, basicamente, pelo domínio de três platôs, ou seja, são três enfiadas de corda da base até a “escadinha” de acesso ao cume. Na segunda enfiada se encontra a tão famosa chaminé “Arranca Botão”, uma estreita fenda (chaminé) na horizontal que exige uma técnica bem singular para ser transposta.

Hoje, além de toda sua importância histórica e uma belíssima escalada, a Teixeira é também a melhor via para descer da montanha (rapel).

  • Apesar do acesso gratuito, é imprescindível que você assine, na entrada do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Termo de Conhecimento de Riscos e Normas e, ao final de sua atividade, também dê baixa neste documento.

3 Agulha do Diabo | Via de escalada normal

Foto: Thiago Telles – Instrutor AGUIPERJ

Em uma linguagem mais técnica, a escalada da Agulha do Diabo está graduada em 3o 3sup C. Porém, destaco que esta é uma das “Top 10” escaladas mais clássicas do Brasil, e foi eleita por especialistas uma das 15 escaladas mais desejadas do mundo

Batizada anteriormente de “Penhasco Fantasma”, a Agulha do Diabo perfura um incrível vale até, aos 2.050m, tocar o céu do Parque Nacional da Serra dos Órgãos em Teresópolis.

Sua conquista foi em 1941, e desde então a montanha instiga os mais aventureiros escaladores e fascina aqueles que, mesmo à distância, vislumbram seu formato imponente e peculiar.

A caminhada de aproximação já guarda belas surpresas, passando pelo conhecido Vale das Orquídeas e o clássico Mirante do Inferno.

Existem apenas duas vias de escalada que dão acesso ao cume. Uma delas é a via de escalada Crédito Divino, um bigwall de dois dias, a outra a clássica via conquistada na década de 40.

Apesar de receber uma graduação relativamente baixa, a Agulha do Diabo jamais deve ser tida como uma escalada simples, já que diversos fatores podem influenciar no resultado da expedição em montanhas deste porte.

  • A entrada é feita pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos, sede Teresópolis / RJ

4 Nariz e Verruga do Frade | Chaminé

Conquistada em 1.933, o Nariz do Frade (1.920 m) hoje não é mais escalada pelo traçado original, e sim por uma linha, também chaminé, que foi desbravada em 1.973. Mesmo com a técnica aplicada atualmente, a chaminé tem trechos bem apertados e não é fácil de ser vencida.

É fundamental a presença de um guia ou escalador experiente para que essa escalada seja feita com segurança e tenha aumentadas as chances de sucesso.

A via de escalada mais tradicional para quem deseja escalar o Nariz do Frade, alcançando o topo da “verruga”, é mesmo a grande e óbvia chaminé com graduação geral de 4º grau.

São três enfiadas de corda:

  1. Primeira é uma chaminé com cerca de 40 metros;
  2. A segunda enfiada começa em uma aderência e segue por dentro, literalmente, da montanha até chegar na base da “verruguinha”;
  3. A terceira e última enfiada é a curta escalada do bloco de pedra (verruga) que é dominado com duas passadas em artificial fixo e algumas poucas passadas em livre.
  • A entrada é feita pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos, sede Teresópolis / RJ

5 Dedo de Nossa Senhora | Via de escalada em artificial

Das “vias clássicas de escalada” na Serra dos Órgãos, o Dedo de Nossa Senhora, com 1.320 metros de altitude, é uma das menos exigentes tecnicamente, porém talvez a mais trabalhosa e requer atenção, principalmente, nos trechos em artificial.

Trata-se de uma via “ferrata” com um longo trecho em artificial fixo e um segundo trecho com cabos de aço.

Uma aproximação de, aproximadamente, 1h de trilha até o primeiro trecho de escalada, que pode ser feito em livre ou em artificial, depois a trilha segue mais pesada até a base do trecho em artificial obrigatório (1º A1 C), logo após segue o trecho com cabos de aço até a canaleta que leva o topo do Dedo de Nossa Senhora.

Aproximadamente 3h 30min de trilha e escalada em artificial.

  • Apesar do acesso gratuito, é imprescindível que você assine, na entrada do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Termo de Conhecimento de Riscos e Normas e, ao final de sua atividade, também dê baixa neste documento. A entrada da trilha é feita pela estrada, subida da Serra de Teresópolis.

6 Escalavrado | Via normal

Das “vias clássicas de escalada” na Serra dos Órgãos, o Escalavrado, com 1.420 metros de altitude, é a montanha tecnicamente menos exigente para os praticantes do esporte.

Possui uma trilha semi-pesada e grande parte da sua trilha é exposta. A escalaminhada é feita pela crista da rocha, por isso os equipamentos de escalada são obrigatórios para que você chegue com segurança ao cume do Escalavrado.

Nos últimos anos o Escalavrado vem sendo muito frequentado, e alguns aventureiros vem se arriscando nesta aventura sem equipamentos básicos de segurança, mas vale lembrar que é imprescindível a utilização dos equipamentos de escalada para acessar o cume da montanha.

Apesar da sua trilha ser na maior parte uma escalaminhada, há um trecho de aproximadamente 25 metros que requer muita atenção e utilização de equipamentos e técnicas de escalada.

  • É imprescindível que você assine na entrada do parque o Termo de Conhecimento de Riscos e Normas e dê baixa na sua saída na portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. A entrada da trilha é feita pela estrada, na subida da Serra de Teresópolis.

7 Cabeça de Peixe | Via normal

Cume do Cabeça de Peixe com vista para o Dedo de Deus – Serra dos Órgãos / RJ

Cabeça de Peixe é na verdade uma escalaminhada, onde a ascensão é feita utilizando as pedras e raízes que existem no caminho, mas existe a necessidade de uma corda e equipamentos para dar maior segurança em alguns trechos expostos.

O escalador deve estar apto para enfrentar dificuldades de 3º grau. Requer grande preparo físico pois você irá enfrentar alguns trechos na vertical, onde terá que utilizar algumas cordas para ascensão.

  • É imprescindível que você assine na entrada do parque o Termo de Conhecimento de Riscos e Normas e dê baixa na sua saída na portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. A entrada da trilha é feita pela estrada, na subida da Serra de Teresópolis.

 

8 São Pedro – Via Chaminé Ricardo Cassin

Com graduação de 3° IV, a via de escalada Chaminé Ricardo Cassin, São Pedro, está localizada no setor Pedra do Sino, entrada pela Sede do Parque Nacional da Serra dos Órgãos.

Aberta em 1966, a “Chaminé Ricardo Cassin” é um “presente” deixado por dois dos escaladores mais importantes da história do montanhismo nacional, Salomith Fernandes e Raymundo Michetti.

Localiza-se em uma das montanhas mais monumentais da parte alta da Serra dos Órgãos, a São Pedro, que apesar de poder ser acessada por trilha, oferece algumas das maiores paredes da região.

Em uma delas, segue um lindo sistemas de fendas que, por sua largura, possibilita a escalada no estilo “chaminé” onde o escalador utiliza-se do próprio corpo para se “entalar” e progredir na escalada.

A via ainda oferece, logo nos primeiros metros, algumas passadas em agarras e aderência e, ao final, belos lances em grandes agarras com um “costão” final pra chegar ao cume.

A base fica poucos metros antes do famoso Mirante do Inferno, de onde é possível observar parte dessa belíssima rota.

A escalada é inteiramente protegida em grampos porém, podem ser utilizadas algumas peças móveis para diminuir a exposição (opcional).

O visual durante a escalada é incrível, já que a Ricardo Cassin fica literalmente no meio do Vale/Caminho das Orquídeas.

  • A entrada é feita pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos, sede Teresópolis / RJ

9 Pedra da Cruz | Via Paredão Paraguaio

Para chegar ao cume da Pedra da Cruz você deverá enfrentar uma trilha extensa, com duração de até 5 horas. No cume você estará há cerca de 2.130 metros de altura.

Na trilha, que começa a 1300 metros e é feita a partir da Pedra do Sino, você chegará a Cota 2000, de onde avista uma trilha fechada de vegetação, sendo por ela que você conseguirá chegar na Pedra da Cruz.

A antiga porém, recentemente, reformada via “Paredão Paraguaio” é uma das opções mais clássicas de escalada na Serra dos Órgãos

Mesmo tendo sido conquistada em 1963 ela impressiona pela modernidade da “linha”, principalmente agora, com a remoção das proteções fixas, o que torna obrigatório o uso de equipamentos “móveis”.

Trata-se de uma curta escalada numa das faces rochosas mais atraentes da parte alta. Localiza-se naquela parede alaranjada da Pedra da Cruz que pode ser avistada da “Cota 2000” na trilha da Pedra do Sino.

A orientação, principalmente agora sem os enormes grampos da conquista, é um pouco delicada. A vegetação da parede e a riqueza de possibilidades podem levar o escalador a errar o traçado.

O “crux” dessa via, por si só, já vale a longa aproximação. Para chegar na base da via é necessário subir a trilha da Pedra do Sino por algumas horas até pegar o desvio que fica alguns minutos antes do Abrigo 3.

A verticalidade, beleza dos lances e o visual de cume, transformam essa incrível, porém pouco frequentada, via de escalada em um clássico do montanhismo nacional.

  • A entrada é feita pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos, sede Teresópolis / RJ

10 Garrafão | Via normal

O Garrafão é considerado o primeiro Big Wall brasileiro, com uma graduação de 5 VI+ A2 D, especialmente a Via Crazy Muzzungo, é considerado o local isolado, extremo e de difícil acesso.

A escalada vai levar pelo menos XXX dias, já sabe o que isso significa, né? Você vai dormir suspenso!

Outra maneira de chegar ao cume da Pedra do Garrafão é indo pela Pedra do Sino seguindo a via normal de acesso ao cume do Garrafão, apesar do seu maior percurso ser por trilha, existem trechos técnicos de rapel e escanção por corda fixa. Veja abaixo o vídeo!

  • A entrada é feita pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos, sede Teresópolis / RJ

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